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quarta-feira, 5 de março de 2008

Carmen-C est toi C est moi(final)

Morreu no dia 3 deste mês, o grande Pipo, assim era conhecido o grande tenor Giuseppe di Stefano, com 86 anos, na sua residência perto de Milão.

Há muito retirado de cena, também fora compelido a praticamente retirar-se da vida, há perto de 4 anos, quando depois de ter sido brutalmente agredido na sequência dum assalto, entrou em coma , estado de que nunca viria a recuperar totalmente.

Para alguns mais fanáticos, foi o grande companheiro de Maria Callas, mas é injusto apenas fazer esta afirmação, não começando por dizer que durante, embora poucos anos foi "o maior tenor lírico do Mundo".

Estreou-se em 1946 como Des Grieux na Manon de Jules Massenet. e manteve-se no pedestal durante cerca de 10 anos. Depois talvez por arrastamento e colagem com a carreira de Maria Callas, exageros, papéis inadequados e outros disparates adulteraram-lhe a qualidade vocal, entrando em fase descendente.

A Carmen é uma história de amor e sangue, ciúme e traição. Dom José era um militar, que desertou por amor de Carmen que o seduziu mas que acaba por o trocar pelo toureiro Escamilho.

Carmen e Dom José irão defrontar-se face a face no dueto final " C est toi, C estmoi" ao mesmo tempo que Escamilho triunfa dentro da praça de touros, no exterior Dom José acaba por matar Carmen.

As suas últimas palavras são

Podeis prender-me
Fui eu que a matei
Ó Carmen , minha Carmen adorada


Com não podia deixar de ser eis o dueto como Maria Callas no Royal Festival Hall. Londres em 1973.

Depois a solo cantando Vesti la giubba de Il Pagliacci de Leoncavallo


3 comentários:

José Quintela Soares disse...

"o maior tenor do mundo"?

Mesmo no seu tempo...Corelli, Bergonzi e del Monaco era, para mim, superiores.
Di Stefano cantou muito com Callas, e foi pena...na minha opinião.
A Tebaldi esteve quase sempre melhor acompanhada.

lfm disse...

Foi admirável por pouco tempo, antes da grande bandalheira.

Bergonzi excessivamente Verdiano, não acha ?
Um tenor muito conotado com esse papeis mas inexcedível no rigor com que os cantou.

Saudade de o ouvir cantar entre nós.

Luís Maia

ben-ur-ron disse...

Gostei do facto de ter deixado um post em memória de Giuseppe di Steffano.

Contudo, sou da opinião de que o devia ter feito de outra forma. Pode achar a minha opinião muito pouco original, mas a Maria Callas só trouxe brio à carreira do Pipo.

Tenho passado muitas horas a ouvir novas sopranos no "you tube", e não consigo encontrar soprano que lhe faça sombra. Repare nos seus graves, "gordos", únicos, com aquele efeito de garrafa característico e único na voz da callas, e contudo na facilidade com que canta as areas de coloratura... Também a sua musicalidade e forma como aborda cada área é unica.

Por muito que goste de Di Steffano (é o meu tenor preferido), sou forçado a concluir que não passava de uma sombra ao lado da Callas.

Só para terminar, acho também injusto ter escolhido esta gravação. As vozes de ambos já estavam em claro declínio, pelo que quem os ouvir pela primeira vez aqui, ficará com uma imagem adulterada de ambos.

Cumprimentos