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quarta-feira, 15 de agosto de 2007

IL Trovatore-Verdi-Inicio do 2º Acto

O 2º acto desta ópera começa num acampamento de ciganos, na Biscaia, partidários de Urgel.

Cantam despedindo-se da noite "Vedo ! Se fosche notturno", preparando-se para o trabalho. É um dos trechos mais famoso da ópera, onde o coro é misturado com o bater de bigornas e martelos, vulgarmente conhecido pelo "coro dos ciganos".

Eles dizem

"Olhai ! as escuras roupas noturnas que
cobriam a imensa abóbada do céu afastam-se,
parece uma viúva
que por fim despe
as roupas negras com as quais se cobria.
Ao trabalho vamos, martelem.

Quem embeleza os dias do cigano ?
a ciganinha"

depois só os homens

"Escutem-me um pouco
a bebida dá ânimo e coragem
ao corpo e á alma"

Completando todo o coro

"Oh Olha olha
no teu corpo brilha um raio
mais brilhante que os do Sol
Ao trabalho ! ao trabalho !

Quem embeleza os dias do cigano ?
A ciganinha"

Azuzena a filha da cigana, que o velho conde de Luna queimou no passado, está absorta frente ao fogo, enquanto os ciganos cantavam.

Azuzena começa então um estranha canzone, assim qualificada na partitura e não como ária e que por isso tem duas estrofes iguais. Trata-se de "Sride la vampa"(crepita a chama), uma das mais famosa árias para mezzo-sopranos.

Ela recorda o dia tenebroso quando sua mãe foi injustamente condenada. Numa primeira alusão ao ambiente em redor, a alegria das pessoas.

Terminando

" Crepita a chama, chega a vítima
vestida de negro, desenfaixada e descalça !
Elevam-se gritos ferozes de morte
e o eco repete-os de um barranco para outro !
Sinistras reluzem sobre os seus horrendos rostos
as tétricas chamas que se erguem até ao céu"

Para ver carregue aqui


Il Trovatore-(O Trovador) foi estreada a 19 de Janeiro de 1853 composta por Verdi, escrita com libreto de Salvatore Cammarano baseado na peça teatral de Antonio Garcia Gutiérrez, escrita em 1836.

Quando da estreia, teve enorme êxito que se manteve inalterável até hoje.

O Trovador é a segunda ópera de uma trilogia verdiana iniciada com o Rigoletto e acabada com La Traviata.

Estas óperas iniciam um distanciamento definitivo em relação a tudo o que as óperas do primeiro período romântico supõem. A típica divisão entre recitativo, ária e cabaletta começa a não ser essencial na linha dramática da obra, de tal maneira que é muito mais simples criar cenas em que a continuidade predomina sobre a divisão estrita da ópera por números.

Com Verdi as árias não desaparecem, mas significa que á obra não é estruturada em função delas, elas limitam-se a aparecer quando se justificam.

Os trecho longos das aberturas, ainda habituais nos primeiro tempos da sua produção, tendem a ser substituídos por preludios mais ou menos breves. Assim acontece nestas três óperas da trilogia.

Personagens

O Conde de Luna-(Barítono)nobre aragonês ao serviço de Fernando de Antequerra.

Manrico-(Tenor)oficial do exército do conde Urgel, suposto filho da cigana Azucena e irmão ignorado do conde de Luna.

Leonora-(Soprano)dama de companhia da rainha Leonor e apaixonada por Manrico.

Azucena-(Mezzo-soprano)cigana originária dos montes da Biscais.

Ferrando-(Baixo)Chefe da guarda do conde Luna.

Ruiz-(tenor)lugar-tenente e amigo de Manrico.

Inês-(soprano)confidente de Leonora


3 comentários:

Anónimo disse...

Em termos musicais, uma das óperas mais bonitas que conheço, e em particular, a ária Stride la vampa, numa fabulosa gravação de 1968, orquestra e coro do teatro Alla Scala, direcção de Tullio Serafin, com Carlo Bergonzi e Fiorenza Cossotto.
Parabéns por este blog (que só recentemente descobri).

lfm disse...

Agradeço seus comentários. Eu tenho outro blogue chamado Sindicato de Operários, onde com imenso trabalho consegui, coligir com videos do You Tube toda a ópera Il Trovatore, entre outras coisas. A retirada desse vídeos liquidaram esse meu trabalho, se se der ao trabalho de passar por lá verá os meus comentários e os "destroços" dos videos.
A Cossoto tive o prazer de ouvir cantar em Lisboa, ela e o marido gostavam de cá vir, exactamente este papel da Azuzena, que ela cantava como ninguém. Bergonzi também o ouvi por cá, um enorme tenor verdiano e que recordo de ouvir num Baile de Mascáras.
Neste Musicopera tento fazer uma coisinha mais ligeira, para que não tenha que vir a chorar o tempo perdido,.

Anónimo disse...

Lá irei visitar o Sindicato dos Operários, sim.
Agradecida pela sugestão e pelo seu excelente trabalho.
mmml