Tecnicamente, ele é um tenor dramático, com uma voz robusta, metálica, de grande projeção, pensada para papéis pesados: Calaf, Radamès, Manrico, Andrea Chénier. Não é uma voz de filigrana nem de meias-tintas; é uma voz que entra em cena para ocupar espaço. Quando está em boa noite, o som atravessa a orquestra sem pedir licença.
Alguns pontos-chave sobre ele:
-
🎭 Força e resistência são o seu maior trunfo. Aguenta repertório exigente, longo e ingrato — coisa que poucos tenores hoje conseguem fazer com regularidade.
-
🎶 O timbre não é “bonito” no sentido tradicional italiano. Há quem o ache duro, até áspero. Mas há também quem valorize essa rugosidade viril, que funciona bem em personagens atormentados ou heroico
Expressivamente, ele aposta mais na intensidade direta do que na subtileza psicológica. Emoção clara, gesto largo, sem muitas ambiguidades.
-
A parceria (artística e pessoal) com Anna Netrebko deu-lhe enorme visibilidade — para o bem e para o mal. Alguns veem isso como impulso de carreira; outros acham injusto reduzir o valor dele a isso.
No fundo, Eyvazov não é um tenor “de culto”, daqueles que conquistam pela elegância do fraseado ou pela morbidez do legato. Ele é mais martelo do que pincel. E dependendo da ópera e do momento, isso pode funcionar muito bem.
aqui canta com Anna Netrebko Già nella notte densa da opera Otello
Sem comentários:
Enviar um comentário