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terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Yevgeny Nesterenko

Yevgeny Nesterenko teve uma vida marcada por atravessar dois mundos — o soviético e o europeu.

Nasceu em Leningrado (atual São Petersburgo), na então União Soviética, em 8 de janeiro de 1938.
Viveu grande parte da sua vida artística na URSS, tornando-se um dos grandes baixos do Teatro Bolshoi e da tradição russa. A partir dos anos 1990, passou a residir sobretudo na Áustria, depois de deixar a Rússia.

Morreu em Viena, em 20 de março de 2021.

Nesterenko foi um baixo russo monumental, não só pelo volume ou pela extensão, mas pela autoridade interior com que cantava. A voz dele não implora: afirma. É daquelas presenças que fazem o silêncio pesar antes mesmo da primeira nota.

Alguns traços essenciais:

1. A voz
Baixo profundo, escuro, quase granítico.
Mas não era bruto: havia nobreza, contenção e gravidade. Cada frase parecia pensada como um verso bem escandido — nada sobrava.

2. Os papéis
Foi um Boris Godunov de referência. Ali, Nesterenko não “interpreta” o poder e a culpa — ele habita o peso deles.Também brilhava em papéis espirituais e sombrios: monges, czares, figuras morais dilaceradas por dentro.

3. A estética russa
Ele carrega aquela tradição russa que não tem pressa de emocionar.
A emoção vem do controle, da densidade, do que fica contido. Muito próximo do que tu preferes: dor sem lágrima, força sem grito.

4. O homem e o cantor
Nesterenko era conhecido pela seriedade quase austera.
Nada de exibicionismo. A voz servia o sentido — nunca o contrário


Aqui canta La calunnia do Barbeiro de Sevilha

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