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sábado, 17 de janeiro de 2026

Olga Borodina

 Olga Vladimirovna Borodina nasceu em São Petersburgo (1963) e formou-se no Conservatório Rimsky-Korsakov. Desde muito cedo ficou claro que havia ali uma voz rara: escura, ampla, aveludada, com um grave profundo e um centro riquíssimo — aquele tipo de timbre que parece já carregar drama mesmo no silêncio.

A voz

Borodina é o exemplo clássico da mezzo-soprano dramática:

  • timbre sombrio e luxuoso

  • graves naturais, nunca forçados

  • agudos sólidos, mas sempre integrados ao corpo da voz

  • emissão muito homogénea, sem quebras perceptíveis

Não é uma voz “virtuosística” no sentido do bel canto acrobático; é uma voz de densidade emocional, feita para personagens intensas, passionais, trágicas.

Repertório e papéis emblemáticos

Ela tornou-se praticamente referência absoluta em vários papéis:

  • Dalila (Samson et Dalila, Saint-Saëns)

  • Amneris (Aida, Verdi)

  • Carmen (Bizet)

  • Eboli (Don Carlo, Verdi)

  • Azucena (Il trovatore, Verdi)

Mas onde Borodina é verdadeiramente incomparável é no repertório russo:

  • Marfa (Khovanshchina, Mussorgsky)

  • Lyubasha (A noiva do czar, Rimsky-Korsakov)

  • Canções e ciclos de Rachmaninov, Mussorgsky e Tchaikovsky

Carreira internacional

Borodina teve carreira constante nos maiores teatros do mundo:

  • Metropolitan Opera (Nova Iorque)

  • Royal Opera House (Covent Garden)

  • La Scala

  • Wiener Staatsoper

  • Mariinsky (sua casa artística)

Nunca foi uma “diva mediática”, mas sempre foi uma diva musical, respeitadíssima por maestros, colegas e críticos.

🖤 O que a torna especialO grande trunfo de Borodina é a nobreza do canto. Mesmo nos momentos mais dramáticos, há:

  • contenção

  • dignidade

  • uma melancolia profunda, quase fatalista

Ela não “interpreta” apenas — ela encarna.

aqui  canta O don fatale   da Don Carlos

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