O que mais marca nela,
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Voz: um soprano dramático com metal sólido, escuro quando precisa, mas com brilho suficiente pra “cortar” a massa orquestral. Não é uma voz decorativa — é voz de destino.
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Wagner: Brünnhilde, Isolde… papéis que exigem não só potência, mas fôlego psicológico. Ela canta como quem sustenta uma ideia longa, quase sinfónica, muito em sintonia com aquele mundo de tensão contínua.
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Strauss (Elektra, por exemplo): aqui aparece o lado mais visceral. Nada de histeria vazia — há controle dentro do excesso, o que é raríssimo.
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Postura artística: não parece buscar “agradabilidade”. Há uma certa austeridade, uma seriedade quase sacerdotal no modo como encara o palco. Isso aproxima muito dela daquele universo que falávamos com Bruckner: grandeza, peso, verticalidade.
E há algo bonito nisso tudo:
uma cantora brasileira que não tenta soar “leve” ou “exótica”, mas assume sem medo um repertório pesado, europeu, monumental — e o faz com autoridade.
aqui canta Pace pace mio Dio da opera Força do destino